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Fotografando raridades: águia-cinzenta e pato-mergulhão

22 / 05 / 2017

Birdwatching alessandro

A jornalista Camila Machado, Alessandro Abdala, Denise Cardodo e Vicente Antunes. Foto Ruth Gobbo.
A jornalista Camila Machado, Alessandro Abdala, Denise Cardodo e Vicente Antunes. Foto Ruth Gobbo.

 

No começo deste mês de julho estive guiando junto com minha esposa Camila, os amigos Vicente Antunes e Denise Cardoso em mais uma aventura fotográfica no Parque Nacional da Serra da Canastra.

Apesar de não ser a melhor época para aves, este inverno nos revelou ótimos avistamentos e registros surpreendentes como os da águia-cinzenta (Urubitinga coronata)e o pato-mergulhão (Mergus octsetaceus).

Denise e Vicente: paixão pela fotografia e natureza.
Denise e Vicente: paixão pela fotografia e natureza.

 

Logo no primeiro ponto, mesmo antes de entrar no parque, fotografamos choca-da-mata, mariquita, trinca-ferro-verdadeiro, beija-flor-tesoura-verde, beija-flor-de-fronte-violeta, sebinho-de-olho-de-ouro, tiê-preto, tico-tico-rei-cinza, com destaque para um jovem soldadinho (Antilophia galeata) com a plumagem em período de muda.

Este soldadinho (Antilophia galeata) sub-adulto nos encantou com sua bela plumagem em transição.
Este soldadinho (Antilophia galeata) sub-adulto nos encantou com sua bela plumagem em transição.

 

Assim que entramos no parque encontramos um casal de bandoletas, espécie há muito procurada por Denise e Vicente, que fizeram ótimas fotografias.

A bandoleta (Cypsnagra hirundinacea)era uma espécia há muito procurada por Denise e Vicente, que nesta viagem puderam realizar o sonho de registrá-la.
A bandoleta (Cypsnagra hirundinacea)era uma espécia há muito procurada por Denise e Vicente, que nesta viagem puderam realizar o sonho de registrá-la.

 

Os endêmicos papa-moscas-do-campo (Culicivora caudacuta) e corruíra-do-campo (Cisthotorus platensis) logo apareceram e permitiram excelentes registros sob uma luz especial, só encontrada nos vastos campos de altitude da Serra da Canastra.

Uma curiosa família de papa-moscas-do-campo se aproximou, eram pelo menos seis indivíduos, estavam muito calmos e permitiram lindos registros.
Uma curiosa família de papa-moscas-do-campo se aproximou, eram pelo menos seis indivíduos, estavam muito calmos e permitiram lindos registros.

 

Furtivamente essa corruíra-do-campo deixava a vegetação densa, se exibindo por segundos para nossas lentes.
Furtivamente essa corruíra-do-campo deixava a vegetação densa, se exibindo por segundos para nossas lentes.

 

Apesar do inverno, os galitos (Alectrurus tricolor) já começaram a aparecer com maior abundância, alguns machos já apresentam a cauda de formato singular praticamente formada, como este da foto:

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No finalzinho do dia, tivemos nosso primeiro contato com a grandiosa águia-cizenta (Urubitinga coronata), ao longe, pousada sobre um cupim. No dia seguinte, teríamos a chance de fotografá-la bem de pertinho, inclusive em voo. A águia mais rara do Brasil ainda é comum por aqui, sendo frequentemente avistada caçando nos campos naturais na região do Parna Canastra.
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Do alto de um cupinzeiro a águia-cinzenta espreita os campos naturais em busca de presas. Pequenos roedores, mamíferos de pequeno porte, e até tatus estão entre as presas comuns dessa espécie extremamente ameaçada de extinção.

 

Com uma envergadura que chega a 2 metros, esse magnífico accipitrídeo tem um voo majestoso, que pudemos observar em todos os detalhes.
Com uma envergadura que chega a 2 metros, esse magnífico accipitrídeo tem um voo majestoso, que pudemos observar em todos os detalhes.

 

Enquanto fotografávamos a águia-cinzenta, um encontro inusitado - a fotógrafa Ruth Gobbo fazia um editorial com a modelo Nicolli Cerchi e aproveitou nosso jipe como cenário! Um momento de descontração enquanto revíamos velhos amigos.

Nossa Toyota Bandeirante serviu de cenário para a modelo Nicolli, em fotografia de Ruth Gobbo.
Nossa Toyota Bandeirante serviu de cenário para a modelo Nicolli, em fotografia de Ruth Gobbo.

 

A fotógrafa Ruth em ação.Foto: Camila Machado.
A fotógrafa Ruth em ação.Foto: Camila Machado.

 

Outra raridade da Canastra, o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) era um de nossos principais desejos de avistamento. Comentávamos sobre a possibilidade de avistá-lo nas primeiras horas da manhã, já que se encontra em período de reprodução, época em que os casais ficam mais calmos e passam mair tempo em pontos determinados do rio.

Iluminada pela primeira luz do dia, Denise fotografa a tiriba-de-testa-vermelha.
Iluminada pela primeira luz do dia, Denise fotografa a tiriba-de-testa-vermelha.

 

Tivemos sorte! Encontramos um casal de patos numa gélida manhã de julho, nadando calmamente nas translúcidas águas do Rio São Francisco. Um momento raro, carregado de emoção, que nos fez sentir o privilégio de ter a chance de contemplar uma cena tão especial.

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O pato-mergulhão é hoje uma das aves mais ameaçadas do mundo, devido à perda de seu habitat natural: Rios de águas cristalinas, livres de barragens, com abundância de pequenos peixes e mata-ciliar preservada. Este casal de patos encontrou estas características nos primeiros quilômetros do Rio São Francisco, em cujas águas nadava soberano quando o avistamos.

 

Durante a viagem, encontramos duas cobras muito interessantes atravessando a estrada-parque:

Esta, cujo desenho imita o de uma cascavel, possivelmente como recurso para afugentar predadores.
Esta, cujo desenho imita o de uma cascavel, possivelmente como recurso para afugentar predadores.

 

E essa linda cobra verde, que salvamos de ser atropelada. Foto: Denise Cardoso.
E essa linda cobra verde, que salvamos de ser atropelada. Foto: Denise Cardoso.

Ao final do dia um fantástico arco-íris, para fechar com poesia uma viagem primorosa, recheada de momentos de aventura e emoção, nesse santuário de vida selvagem que é o Parque Nacional da Serra da Canastra.

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